TERAPEUTAS
André Gandur
Marilene Coelho
 
 
 

AURICULOTERAPIA

 
 

 

A auriculoterapia francesa tem sua origem baseada no método da auriculoterapia chinesa. É uma técnica da Acupuntura que utiliza o pavilhão auricular para efetuar tratamentos e restabelecer a saúde, aproveitando o reflexo que a aurícula exerce sobre o sistema nervoso central.
A auriculoterapia, como o próprio nome indica, trata disfunções e promove analgesia através do estímulo em pontos reflexos localizados na orelha externa. A orelha é um dos vários microssistemas do corpo humano, assim como as palmas das mãos, as plantas dos pés, o crânio, as regiões laterais da coluna vertebral. De acordo com a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) – o pavilhão auricular possui mais de 200 pontos para tratamento em sua parte anterior e posterior.

Ao longo de nossas postagens falaremos muito mais sobre auriculoterapia, conceitos, anatomia, diagnóstico e tratamentos, com protocolos específicos para cada patologia.

André Gandur



 
 

Histórico da Auriculoterapia

 
 
   
A história e origem da auriculoterapia tem alicerces na antiguidade, mesmo que exista divergências sobre o país no qual o método foi usado pela primeira vez, China ou Índia. Mas tudo indica que, a partir de então, a técnica passou para os egípcios e persas, que a divulgaram pela costa do Mediterrâneo, isto é, Itália, Espanha, França e norte da África.
     Há menção de utilização da auriculoterapia no Egito durante o período dos faraós, quando as mulheres que não queriam ter filhos mandavam pinçar certas áreas da orelha.

      De volta à antiguidade, no século IV a.C., Hipócrates teria passado um tempo no Egito e, assim, conseguido tomar conhecimento dos primórdios da auriculoterapia. É a conclusão à qual estudiosos de suas obras chegaram.
Um exemplo disso seria o tratado de Hipócrates chamado “Dos ares, das águas e dos lugares”, no qual ele escreveria sobre o sangramento de uma veia atrás da orelha como forma de tratar a impotência. E mais: provocar queimadura em ponto da antélice da orelha como terapia para dor ciática. Aliás, esta cauterização para aliviar a dor ciática seria utilizada mais tarde, já no século XVII, por um médico português chamado Zacutus Lusitanus.
 
 

     A relação dos meridianos com a orelha é explicada no livro Hoang Ti Nei King, o “Cânon de Medicina do Imperador Amarelo”, considerado o mais antigo de que se tem conhecimento. Nele, há referências sobre diagnóstico e tratamento com acupuntura.

     Um texto também clássico, o Ling Shu (475 – 225 AC.), cita a ligação entre orelha e demais órgãos. Já na dinastia Tang, a estimulação da orelha para tratar condições físicas internas é uma mostra da história e origem da auriculoterapia em tempos mais recentes.

     Referências, pesquisas, citações e obras não faltam para contar essa trajetória. No século XVIII, o anatomista italiano Valsalva, em sua obra “De aura humana tractatus”, aponta a cauterização de um local no pavilhão auricular para aliviar a dor de dente.

     Um salto no tempo e vamos aos anos 1950, quando, na França, o Dr. Nogier teve contato com um caso de tratamento da dor ciática. Foi o seguinte: uma paciente chegou até ele com um trabalho feito por uma curandeira local.
Nogier passou a estudar o fenômeno e, depois de longas análises, começou a experimentar um tipo de mapa dos pontos da orelha que estavam relacionados aos órgãos e demais estruturas do corpo humano. E publicou alguns trabalhos nos quais mostra essa ligação, chegando a descrever os ótimos resultados obtidos com seus clientes.

     Diz-se ainda que o Dr. Nogier observou também povos do mediterrâneo e seu hábito de fazer pequenas cauterizações na orelha para combater diversas enfermidades. Assim, conseguiu descobrir uma porção de pontos curativos, e estabeleceu um vínculo entre a posição deles no pavilhão da orelha e a posição que um bebê ocupa na barriga da mãe pouco antes de nascer.

     Estes estudos do Dr. P. Nogier foram publicados inclusive em jornais de Xangai. Com ajuda deles, até os chineses puderam impulsionar suas investigações nesse campo, criando diversos núcleos de pesquisa por toda a China.
     Na década de 1980, muitos estudos levaram ao desenvolvimento do diagnóstico e tratamento por auriculoterapia. Em 1990 a OMS reconhece e recomenda a auriculoterapia. Em 1999, Huan Li Chun desenvolve a técnica da semente dupla.

     As terapias auriculares têm vários mapas (francês, chinês, japonês) mas todos com vários pontos em comum, porque todos partiram do mapa do feto invertido de Paul Nogier.

     Existem três escolas (correntes) da auriculoterapia, a Escola Chinesa, que se divide em dois segmentos, a que usa agulhas e a que usa sementes duplas (Huan Li Chun), e a Escola Francesa, criada pelo Dr.Paul Nogier, caracterizada por tratar uma orelha em cada sessão.

 

 

 

Diferenças entre Auriculoterapia Chinesa e Francesa

 
 
 
 

Antes de falar as diferenças é muito importante falar que existe uma grande semelhança entre ambas as técnicas. Tanto a escola chinesa quanto a escola francesa, possuem a mesma finalidade e objetivo, sendo eles, tratar sinais e sintomas existentes em nosso corpo. Ambas atuam no âmbito físico, mental e emocional do paciente. A auriculoterapia chinesa é mais antiga, é uma prática milenar que se baseia nos princípios da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), enquanto a auriculoterapia Francesa é mais científica e foi criada mais recentemente na França por Paul Nogier.

Os pontos da escola francesa se baseiam na reflexologia e em um feto de ponta cabeça que se constitui um microssistema que pode refletir todas as mudanças fisiológicas do corpo humano. Nesse caso, quando ocorre uma desarmonia em qualquer parte do corpo, esta desarmonia é refletida na orelha com reações de caráter e localidades específicas, relacionadas a cada enfermidade em particular. A escola francesa está amparada pelos fundamentos da neurofisiologia. Já os pontos de auriculoterapia chinesa também são baseados em um feto de ponta cabeça, porém esses pontos, foram criados através de inúmeros mapas, de diferentes profissionais, que formaram o mapa de auriculoterapia chinesa que conhecemos hoje.

Portanto, a grande diferença entre a escola Francesa da escola chinesa é puramente cartográfica, ou seja, seus mapas auriculares são diferentes.

A escola francesa também se diferencia da escola chinesa por não utilizar métodos invasivos como por exemplo, sangria e a perfuração profunda da pele com agulhas de acupuntura.

 

 

Anatomia da Orelha
 

 

O pavilhão da orelha é uma lâmina dobrada sobre si mesma, em diversos sentidos, ovalada, com uma extremidade superior espessa. O pavilhão da orelha está situado em ambos os lados da cabeça, atrás da articulação temporomandibular e da região parotídea, antes da região mastoide e abaixo da temporal, unindo-se a cabeça pela parte média de seu terço anterior.

     O pavilhão auricular é constituído por um tecido fibrocartilaginoso, como sustentação de suas estruturas anatômicas, é formado também por ligamentos, tecido adiposo e músculos. A parte inferior do pavilhão é rica em nervos, vasos sanguíneos e linfáticos, mas os terços superiores deste são formados, basicamente, por cartilagem, e o lóbulo da orelha é constituído, em sua maior parte, por tecido adiposo e conjuntivo.

     O pavilhão da orelha é coberto de pele aderente à fibrocartilagem, na face externa e é móvel na face interna. A pele do pavilhão está separada da fibrocartilagem por um tecido muito denso sobre a face externa, enquanto é frouxo sobre a face interna, onde contém alguns grânulos adiposos. A derme do pavilhão é mais espessa e, nesta, se distribuem glândulas sebáceas, sudoríparas, capilares, nervos e vasos linfáticos. O tecido adiposo e as glândulas sebáceas são mais abundantes nas imediações do conduto auditivo.

     Sua morfologia acidentada, composta por um conjunto de sulcos e eminências, é a principal referência para a localização dos pontos auriculares.

André Gandu

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Aspectos Neurológicos da Orelha

 
 


O pavilhão auricular mantém relações com os órgãos e regiões do corpo através de reflexos cerebrais, a inervação é tríplice e constituída pelos nervos: trigêmeo, vago e plexo cervical superficial, há evidências da participação dos ramos dos nervos facial e glossofaríngeo.
São abundantes os nervos que inervam o pavilhão auricular, podemos dividí-los de acordo com sua origem em nervos espinais, nervos cerebrais e nervos simpáticos.
     Os nervos motores provem do facial. Os nervos sensitivos têm dupla origem, o auriculotemporal dá seus ramos à parte superior da hélice e ao trago e o ramo auricular do plexo cervical superficial inerva o resto do pavilhão.
Nervos Espinais: incluem o nervo auricular maior e o nervo occipital menor.

  • Nervo Auricular Maior: desempenha um papel importante no pavilhão auricular, origina-se no segundo e terceiro pares do plexo cervical, aprofunda-se por trás do músculo esternocleidomastoideo, até alcançar o pavilhão auricular onde se divide em dois ramos: o ramo inferior ou ramo anterior e o ramo superior ou posterior.
  • Nervo Occipital Menor: origina-se também no segundo e terceiro pares do plexo cervical, ascende de maneira oblíqua por trás do esternocleidomastoideo até alcançar o nível da raiz da hélice, para penetrar na cartilagem e distribuir-se em vários ramos que inervam a face anterior, posterior e superior do pavilhão, desta maneira abrange o ápice da orelha, a fossa triangular, a cruz superior e inferior da antehélice e a parte superior da fossa escafoide.

Nervos Cerebrais

  • Nervo Auriculotemporal: procede do ramo inferior do trigêmeo e corre para a face anterior e superior do pavilhão auricular, dividindo-se em finos ramos que inervam a parede anterior do conduto auditivo externo, o trago, o lado superior da raiz da hélice e ascende pela hélice até a fossa triangular. Em alguns casos, o nervo auriculotemporal estende-se até o lóbulo da orelha e da concha cava, entrecruzando-se com os nervos auricular maior, occipital menor e com o ramo auricular do vago.
  • Ramo Auricular do Vago: de um segmento do vago que acompanha as veias cervicais, sai um ramo que se une com o nervo glossofaríngeo e com fibras do nervo facial para penetrar na orelha, de onde se distribui no bordo interno do pavilhão e no músculo posterior da orelha, abrangendo a raiz da hélice, a concha cava e em alguns casos chega até a fossa escafoide.

Nervos Simpáticos
De acordo com a inervação do pavilhão auricular podemos assinalar que o lóbulo, a hélice, afossa escafoide  anti-hélice, se encontram inervados principalmente por nervos espinais, enquanto que as conchas se encontram inervadas pelos nervos auriculotemporal, vago, facial e glossofaríngeo, principalmente.
Com detalhe curioso podemos assinalar que na fossa triangular chegam quase todos os nervos do pavilhão auricular.
Os ramos simpáticos que inervam a orelha, procedem das fibras que acompanham as artérias cervicais.

 

 

Auriculoterapia
Mecanismo de Ação e Base Fisiológica

 
 
 
 

     O estímulo auricular, leva a ação de uma série de reflexos condicionados. Os pontos auriculares integram um circuito com capacidade racional, formando uma teia de ligações dentro do córtex cerebral. Isto explica os reflexos longos hipodiencefálicos e corticoencefálicos que terminam por agir sobre a formação reticulada do SNC. Com isso ocorre uma melhora sensível do tônus do sistema nervoso e da reatividade do sistema neurovegetativo.

Um estímulo auricular, mesmo sendo débil, acelera uma série de reflexos que provocam reações imediatas ou demoradas, temporárias ou permanentes, passageiras ou definitivas, todas elas de natureza terapêutica.

     A orelha também possui uma relação com os doze meridianos de acupuntura sistêmica. Seis tem relação direta com a orelha: Triplo Aquecedor, Intestino Delgado, Estômago, Vesícula Biliar, Bexiga e Pericárdio. Os demais, Intestino Grosso, Pulmão, Coração, Rim, Fígado e Baço Pâncreas estão relacionados indiretamente com a aurícula através dos meridianos de ligação e Vasos Maravilhosos. Desta maneira, o estímulo auricular atinge todas as regiões do organismo, da mesma forma que a alteração de algum órgão ou víscera reflete na orelha.

André Gandur

 

 

 

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